5 surfistas que ficaram muito perto de conquistar o título mundial | Parte 3

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Ganhar o título mundial da WSL é o equivalente a ganhar a medalha de ouro nos jogos olímpicos. Apenas os melhores entre os melhores conseguem atingir esse objectivo e mesmo alguns surfistas fora de série podem acabar as suas carreiras sem chegar ao título máximo deste desporto. A ONFIRE escolheu 5 surfistas que tinham tudo para conseguir ser campeões mundiais mas “bateram na trave”…

Parte 1 | Parte 2

Taj Burrow | Austrália

Taj Burrow fez uma das ascensões mas rápidas da história do surf profissional. Filho de norte-americanos residentes no Oeste da Austrália, o jovem Taj passou despercebido do mundo até 1996 quando chegou à Europa e “limpou” quase tudo o que havia. Acabadinho de fazer 18 anos Taj começou por vencer o Headrworks Pro, em Newquay, Inglaterra, uma etapa 5 estrelas (pontuação máxima da altura). Daí seguiu para Hossegor onde venceu o prestigioso Quiksilver Pro Junior, sagrando-se campeão Pro Junior Global. Apesar do seu baixo seeding ficou em 9º lugar nos WQSs de Pantin e Zarautz, 2º no WQS de Miramar (Portugal) e deu cartas nas outras duas etapas em águas portuguesas (Ericeira e Praia Grande). Depois saltou a perna brasileira do circuito e teve um bom desempenho no Havai, terminando o ano bem dentro da bolha de qualificação. Apesar disso Taj rejeitou a vaga no WCT de 1997, sendo o único surfista da história a fazê-lo até hoje, de modo a evoluir mais um pouco e “limar as arestas”. No ano seguinte qualificou-se para o WCT, garantindo logo uma vaga no top16 e nos 16 anos que se seguiram apenas ficou fora do top10 uma vez, em 2001, tendo inclusivamente ficado cinco vezes em 4º lugar, duas em 3º e duas em 2º. Todos esses anos Burrow disputou o título mas não conseguiu acabar na primeira posição perdendo várias vezes para Slater e AI e ainda Occy e Fanning e outros. Entre os 5 surfistas mencionados nesta rubrica Taj é provavelmente o que mais merecia ter sido campeão mas ainda tem algumas hipóteses, já que se mantém no WCT e em grande forma. No entanto quanto mais tempo passa mais difícil ficará de garantir o seu título mundial!

Menções Honrosas:

Danny Wills e Mick Campbell | Austrália

Danny e Mick fizeram uma das mais interessantes disputas pelo título mundial de sempre. Apesar de serem amigos chegados os dois não poderiam ter tido percursos mais distintos. Danny era o menino de ouro da Austrália e da Quiksilver, tendo aparecido ao lado de Tom Carroll em filmes de surf desde os seus 13 anos. No fim da sua carreira como júnior deixou o surf em segundo plano e trabalhou durante algum tempo enquanto decidiu qual o rumo da sua vida. Felizmente optou por se dedicar ao surf, e ao fim de poucos anos, qualificou-se para o WCT. Mick era um talento undergound e apesar também de ser patrocinado pela Quiksilver não tinha budget para correr o circuito mundial a tempo inteiro. Mas isso não o deixou ficar para trás já que trabalhou durante alguns meses para juntar dinheiro para o tour e no fim desse ano ficou a um lugar de se qualificar. No ano seguinte entrou também no WCT e fez uma subida no ranking muito mais radical que Wills. Só em 1998 é que Danny encontrou o seu ritmo, ficando em 17º na primeira etapa mas seguindo esse resultado com 5º em Bells, 3º no Coke Classic e duas vitórias nas etapas de Grau 2 (pontuação mais alta) no Japão. Com estes resultados ficou com uma liderança absurda e caso tivesse conseguido mais alguns resultados sólidos teria sido campeão por antecipação. Foi aí que a pressão começou a fazer o seu papel e a sua liderança foi-se diluindo. Perdeu para o wildcard Jevan Le Roux em Jeffreys Bay, para Pat O’Connell em Huntington Beach, Miky Picon (também wildcard) em Hossegor e Taj Burrow no Brasil. Nesta altura já era Mick Campbell quem o seguia mais de perto e ao chegar à final garantiu a liderança do tour. Caso Campbell tivesse vencido esta etapa, Slater, que “pela surra”, também se mantinha por perto do topo, ficaria fora da “title race” mas um aéreo de Peterson Rosa na final deu oportunidade aos júris “de oferecerem” a etapa ao brasileiro e a disputa chegou ao Havai a 3 surfistas. Os australianos não precisavam de muito para garantir o título mas num dia pesado em Pipeline fizeram uma das piores exibições que alguma vez se viu em candidatos ao título. As ondas estavam bem difíceis e os havaianos Bruce Irons e Ross Williams, eliminaram-nos nos rounds 2 e 3, deixando as portas abertas para Slater garantir o seu 6º título. Kelly ficou em 3º no campeonato que foi o suficiente para vencer por uma margem mínima (38 pontos) e assim reformou-se do tour pela primeira vez. Mick e Danny chegaram a “ameaçar” o título noutros anos, mas nunca mais ficaram tão perto de o conquistar, abandonando o tour alguns anos mais tarde.

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