Ganhar o título mundial da WSL é o equivalente a ganhar a medalha de ouro nos jogos olímpicos. Apenas os melhores entre os melhores conseguem atingir esse objectivo e mesmo alguns surfistas fora de série podem acabar as suas carreiras sem chegar ao título máximo deste desporto. A ONFIRE escolheu 5 surfistas que tinham tudo para conseguir ser campeões mundiais mas “bateram na trave”…

Parte 1

Brad Gerlach | EUA

Surfistas com o carisma de Brad Gerlach normalmente não são nomes de topo. Mas Brad era e apesar de não ser tão competitivo como outros da sua geração chegou a disputar o título mundial. Gerlach sempre foi uma pessoa de opiniões fortes fora de água e um estilo incrível dentro dela. Não era especialmente atirado, até alguns anos mais tarde ter descoberto o tow in e ter ganho um dos primeiros XXL Awards, com uma “montanha” gigante surfada em Todos Santos. No ano de 1991 o circuito não passou pela Península Ibérica mas tudo estava a estar a bater certo para o californiano, que disputava o primeiro lugar com Damien Hardman. Depois do Japão, Hardman liderava por quase 1.000 pontos mas uma derrota muito cedo no Brasil, para um surfista pouco conhecido chamado Douglas Lima, deixou que Brad recuperasse algum terreno. Mas, chegados a Pipe, a penúltima etapa do ano, Damien, que era uma autêntica máquina competitiva, chegou à final e garantiu o seu segundo título mundial enquanto que o norte-americano teve de se contente com o segundo lugar. No ano seguinte começava uma nova era no surf profissional, dominada por Kelly Slater e amigos mas nunca saberemos como seria a prestação de Brad Gerlach contra este grupo já que se retirou do tour. Durante alguns anos Gerlach manteve os seus grandes contratos com a Life’s a Beach e outras marcas que usavam a sua imagem e fez um estilo de vida de “Rock Star” enquanto conseguiu. Mais tarde voltou ao tour e tirou alguns resultados no WQS mas nunca ficou perto da qualificação. Hoje em dia está envolvido em vários projectos, venceu o heat “Heritage Series” em Trestles contra Martin Potter (o seu maior rival), e foi mentor de um dos mais estilosos surfistas da nova geração, Connor Coffin.

Rob Machado | EUA

Kelly Slater teve vários adversários difíceis nos anos 90 como Sunny Garcia, Shane Beschen e Shane Powell, mas o seu amigo Rob Machado foi talvez o seu maior “rival”. Rob tinha um estilo mais bonito que Kelly, um surf mais veloz e teve momentos de grande competitividade. Venceu vários WCTs mas em 1995 parecia estar imparável no tour, vencendo no Japão, Huntington Beach e Hossegor. Perto do fim, entre as etapas do Brasil e o Pipe Masters estava marcada uma prova em Puerto Escondido, no México, que não se realizou o que deixou Slater com poucas hipóteses de disputar o título e Sunny Garcia como principal ameaça no Havai. Mas, numa invulgar cadeia de acontecimentos, Sunny foi o primeiro a cair. O seu “carrasco” era um companheiro de equipa da Billabong, Mark Ochilupo, que depois de alguns anos a engordar no sofá tinha começado a fazer o seu regresso nos trials desta etapa. Uma vez no main event, Sunny e Occy disputaram um heat man-on-man no round 2 e por mais oportunidades que tenha dado ao havaiano (que não foram poucas), Garcia perdeu e disse adeus ao título. Machado precisava de ficar à frente de Slater e o (na altura) bicampeão mundial tinha de vencer a prova para passar a sua pontuação. Os dois encontraram-se na meia final man-on-man e disputaram um dos melhores heats da história do surf profissional. Kelly deu grandes tubos para Backdoor e Machado para Pipe. Perto do fim, depois de mais um grande tubo de Rob os dois amigos deram o famoso “high 5” no canal mas, contas feitas, Slater venceu por muito pouco. Depois foi só vencer a final, contra Occy, e sagrar-se campeão mundial pela terceira vez. Uns anos mais tarde, em 2000, Slater já tinha 5 títulos e estava “reformado”, enquanto que Machado venceu 3 etapas e ficou em 3º no tour, colocando-se como forte candidato ao título do ano seguinte. Mas 2001 foi o pior ano da história do WCT já que, devido aos ataques do 11 de Setembro, o circuito ficou reduzido a 5 etapas. Rob teve dois maus resultados e faltou a algumas etapas, devido a um braço partido e complicações com a gravidez da sua esposa, e não recebeu o injury wildcard devido a uma grande falta de comunicação com a ASP. Revoltado com o ocorrido e ainda muito perto da sua melhor forma Machado optou por não correr o WQS e nunca mais voltou ao tour. Desde aí até hoje mantém uma imagem fortíssima nos EUA, surfando pranchas diferentes, possívelmente com mais estilo que qualquer outro surfista no planeta.

Mais um surfista que ficou muito perto de conquistar o título mundial (e duas menções honrosas) brevemente em www.onfiresurfmag.com!

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