O julgamento de surf, como praticamente qualquer outro desporto, tem a sua dose subjectividade, o que dá margem para discórdia. Em cada heat de 4 surfistas 2 passam e 2 perdem, tal como em man-on-man, um segue em frente e outro pode fazer as malas.

São muitos os casos em que não há dúvida sobre os resultados mas por questões de ego do próprio competidor, muitas vezes aliado a algum “bairrismo” dos amigos, treinadores e família, o “processo” é posto em causa.

No entanto há ocasiões (pontuais) em que fica muito difícil de aceitar o resultado devido à diferenciação entre a prestação dos competidores. Fica com uma selecção de 4 resultados “difíceis de engolir”.

Kelly Slater VS Andy Irons – Final do Billabong Pro J-Bay | 2005

Durante cerca de 3 anos Andy Irons conseguiu um feito que mais ninguém tinha conseguido, bater Kelly Slater na disputa pelo título mundial. O seu percurso acabou em 2005, quando já não conseguiu acompanhar a competitividade do então, 6x campeão mundial. Quando o tour aterrou na África do Sul Kelly já levava uma forte vantagem e, apesar de ambos terem chegado à final, uma derrota aí seria quase fatal na disputa pelo 4º título de AI. O havaiano começou bem a final e liderou até ao fim, saindo da água depois de melhorar o seu back up. Já fora de água, sem tempo para regressar ao line up, Andy parecia pouco convencido que Slater nos últimos segundos conseguisse fazer a nota de 9.23 que entretanto precisava. No entanto, como era típico com Kelly, uma onda do set apareceu e o melhor surfista de todos os tempos surfou-a muito bem mas caiu na última secção. Mesmo assim, ao contrário do que seria de esperar, recebeu a nota que precisava e venceu. Andy ainda venceu três etapas do tour esse ano, mas foi pouco e tarde e assim Slater conquistou o sétimo de 11 títulos mundiais.

 

Julian Wilson VS Gabriel Medina – Final do Rip Curl Pro Portugal | 2012

Julian e Gabriel estavam à pouco tempo no tour mas já começava a surgir uma rivalidade entre os dois. Um ano antes, na segunda prova de Medina como membro do Championship Tour, a dupla encontrou-se na final do Quiksilver Pro France e foi o brasileiro quem venceu uma bateria com notas muito semelhantes. Em condições que já não faziam justiça ao nome “Supertubos”, “Gabe” e “Jules” encontraram-se novamente no heat decisivo e as ondas que contaram para cada um foram muito diferentes. Gabriel pontuou nas esquerdas, com uma onda cheia de manobras para conseguir a nota de 7.90 e no fim outra com um tubo para fazer uma nota semelhante. Julian também tinha uma nota sólida e no fim apenas precisava de 7.54 pontos para virar o resultado. Numa direita mais pequena que as de Medina, Wilson conseguiu fazer um tubo rápido, uma batida no lip e de seguida um snap, ambos pouco expressivos, e terminou com um reentry a soltar o tail. No entanto, ao contrário do que se esperava, recebeu uma nota suficiente para preencher o requisito com margem de sobra de quase um ponto, vencendo assim a prova. O publico no local reclamou o resultado, Charles protestou e Medina chorou mas nada mudou, e Julian venceu assim a sua primeira de muitas provas.

 

 

Fica a saber a história de mais 2 resultados polémicos no Championship Tour brevemente AQUI!

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