Wilson perde oportunidade de ouro no Billabong Pro Tahiti

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Owen Wright já garantiu uma vaga nos quartos-de-final e poderá acabar número 1 do ranking se continuar com este ritmo.
Owen Wright já garantiu uma vaga nos quartos-de-final e poderá acabar número 1 do ranking se continuar com este ritmo.

Ao mesmo tempo que Filipe Toledo, Owen Wright e Kelly Slater ganham terreno!

O épico swell previsto entrar acabou por não entrar… Aliás, o dia amanheceu mais pequeno do que o esperado, obrigando Kierren Perrow a adiar o recomeço do Billabong Pro Tahiti por várias vezes à espera do swell.

Passado umas horas, o swell mostrava bem mais consistência e o vento variava entre o side-shore e o off-shore. Havia bombas que roçavam o épico mas eram raras, tal como havia ondas que proporcionavam baldos épicos e altamento perigosos tal o raso nível da água do mar.

E estes dois ingredientes, misturados com o facto de haver um swell de sul pelo meio que muitas vezes transformava ondas aparentemente boas em más mas outras vezes transformava ondas que pareciam que não iam dar tubo em  ondas tubulares, foram fundamentais para dar muita emoção aos oito heats realizados.

Os heats do round 3 seriam fundamentais para Slater e Wilson ganharem terreno, podendo mesmo Wilson ficar número 1 do ranking caso batesse CJ Hobgood. Já para surfistas como Sebastien Zietz ou mesmo Parkinson, estes seriam fundamentais para escalar o ranking e sair do fundo (este está a ser o pior ano de Parko no WT).

No primeiro heat do dia, Kerr garantiu uma bomba perto do final para passar para o round 4, enquanto Slater e Ziets tiveram um heat muito renhido. Slater começou neste heat a mostrar como se surfar na foam ball que se forma dentro do tubo e que na maioria das vezes faz com que os surfistas caiam e não saiam do tubo, garantindo com essa “manobra” um 7.33 e que lhe daria a passagem para o round 4.

Josh Kerr apanhou as bombas no round 3. Photo by WSL I Cestari

Josh Kerr apanhou as bombas no round 3. Photo by WSL | Cestari

Seguiu-se Jeremy Flores e Joel Parkinson, ambos vindos de uma lesão. Flores, de capacete na cabeça e contra as ordens do médico, abriu o seu heat da melhor forma possível, com um 9.10, graças a uma onda que entrou perfeita na bancada de Teahupo’o e a qual o francês dropou atrás do pico para encaixar na secção pesada que lhe apareceu à frente e sair com o bafo. Parko, apesar de uma nota de 7.33, passou o heat completamente à deriva e desencontrado das ondas boas. Já Jeremy continuou a optar por esperar as bombas e essa espera acabou por compensar novamente quando apanhou uma mesmo por baixo do lip, encaixou directo na caverna e saiu novamente depois do bafo, conseguindo uma nota quase perfeita, um 9.77, e deixando o australiano em sérios problemas pois estava em combinação. Parko não mudou de estratégia e acabou eliminado ao mesmo tempo que os comentadores já questionvam se o australiano voltaria a correr o QS caso o seu ano continuasse a ser como até agora tem sido.

(O 9.77 de Flores)

Seguiu-se o último heat do round 3 e um dos mais importantes pois poderia provocar uma nova liderança no circuito. Mas Julian Wilson tinha pela frente um dos mais perigosos surfistas em esquerdas pesadas e tubulares, o ex-campeão do mundo e que se encontra no seu último ano do circuito por decisão prórpria, CJ Hobgood. E certamente que CJ não quereria que a sua última etapa em Teahupo’o terminasse tão cedo! A realidade é que foi um heat onde literalmente apareceu uma onda boa, onda essa que foi mesmo a onda do dia. Quem a apanhou foi o americano e usando todas as suas qualidade de tuberider deu um tubo inacreditável que lhe valeu a nota máxima, o 10 perfeito, e que valeu a Wilson uma derrota dura não só por ter perdido prematuramente mas por ter perdido a oportunidade de liderar o ranking.

(O incrível 10 de CJ Hobgood)

Com as condiões a deteriorarem-se mas tendo em conta que no próximo tound ninguém perderia e que ainda havia bombas (e que só haveria mais um dia para terminar o evento), o Billabong Pro Tahiti continou para o round 4. Wrigth escolheu as ondas certas e continuou a mostrar o surf que o levou à vitória em Fiji ficando em primeiro e “saltando” directo para os quartos-de-final, deixando Toledo e Otton em 2º e 3º e a irem para o round 5.

Medina e Bruno Santos tiveram um heat (quase) man on man uma vez que Italo Ferreira parece ter desvendado o seu calcanhar de Aquilles: tubos pesados, rasos e grandes para a esquerda. Enquanto Italo tinha dificuldade em dropar as caves de Teahupo’o, Medina e Santos travavam uma batalha de mestres em tubos! Santos começou com uma bomba que lhe deu 9 pontos à qual Medina respondeu uma minutos mais tarde com um 9.97, saíndo de um longo e pesado tubo uns dois segundos depois do bafo, e usando de uma forma exímia a técnica de surfar a foam ball para garantir a saída de um tubo aparentemente impossível. Medina garantiu um 7.67 e no fim do heat Santos apanhou mais uma bomba para a esquerda mas acabou a precisar de 54 décimas para conseguir “saltar” o round 5 e ir directo para os quartos de final. Assim, Ferreira juntar-se-á a Santos no round 5 enquanto Medina está nos quartos de final.

(O 9.97 de Medina)

O terceiro heat do round 4 foi novamente um duelo entre dois surfistas, Josh Kerr e Aritz Aranburu, uma vez que Wiggolly Dantas foi quem teve mais dificuldade em encontrar as ondas boas numa altura que eram cada vez mais raras e que o vento side shore soprava cada vez mais forte. Kerr acabou por agarrar as melhores e garantir-se nos quartos-de-final directamente.

Entrávamos assim naquele que viria a ser o último heat do dia e que defrontava Slater, Hobgood e Flores. Foi mais um heat com poucas ondas boas e que começou quase a meio pois a primeira metade teve quase o tempo todo sem ondas. As primeiras ondas não tiveram expressão até Flores garantir um 7.83 numa onda média graças a um longo tubo. Slater respondeu com um 6.83 graças a um tubo de extrema dificuldade técnica enquanto CJ sentia dificuldade em encontrar as boas.

Jeremy garantiu uma nota na casa dos seis para passar para primeiro deixano Slater a necessitar de uma onda para passar para a liderança numa altura em que o relógio chegava ao fim. Mas Slater, que não vence uma etapa do WT há dois anos (por incrível que pareça), usou o “velho truque” de guardar o melhor para o fim apanhando uma bomba que fechou duas secções pesadas e da qual teve de agarrar os dois rails para garantir que saía, recebendo um 9.77 e um lugar directo nos quartos de final!

(O 9.77 de Slater)

O Billabong Pro Tahiti regressará hoje a partir das 18:30 (hora portuguesa) e espera-se que o swell tenha finalmente chegado em força e que o vento esteja off-shore durante largos períodos do dia. Será também o último dia pelo que hoje teremos o campeão do Billabong Pro Tahiti 2015 e possivelmente um novo líder do circuito. Podes carregar AQUI para ver tudo em directo.

O Billabong Pro Tahiti começará com o round 5 onde estão Toledo x Italo Ferreira, Bruno Santos x Kai Otton, Aritz Aranburu x CJ Hobgood e Jeremy Flores x Wiggolly Dantas.

(Hightlights do penúltimo dia do Billabong Pro Tahiti)

 

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