Um primeiro call estava marcado para as 7:30 do último dia de prova do Allianz Figueira Pro mas, apesar de se ver uma melhoria nas condições, as ondas estavam a quebrar muito longe e esperou-se mais um pouco para dar início ao campeonato.

Logo no primeiro heat do round de 16 Guilherme Fonseca mostrou que a sua performance do dia anterior não foi um fluke e tratou de vencer o seu heat com larga vantagem, deixando Jácome Correia em segundo lugar e eliminando Francisco Alves e Daniel Nóbrega. Melhor ainda esteve Tomás Fernandes, que abusou dos carves de frontside para pontuar 9.35 numa das suas ondas e deixar o líder do ranking, Afonso Antunes, num distante segundo lugar, e ainda João Moreira e Miguel Matos ainda mais afastados em pontuações das posições de qualificação. Depois foi a vez de Vasco Ribeiro apanhar apenas 4 ondas mas todas elas foram muito bem surfadas para fazer a melhor média da fase e levar consigo um muito inspirado Diogo Martins, eliminando Joaquim Chaves e Martim Nunes. Para terminar a fase, numa disputa mais apertada, Miguel Blanco venceu o último heat, seguido de Guilherme Ribeiro, enquanto que os goofies, João Kopke e Marlon Lipke que ficaram de fora.

Logo no primeiro heat dos quartos de final man-on-man Guilherme Fonseca bateu o lycra amarela, Afonso Antunes, numa bateria de notas medianas. Logo de seguida Tomás Fernandes dominou o heat por completo mas também Jácome Correia merece algum destaque pois tem estado um pouco apagado mas fez questão de lembrar na Figueira da Foz que é um dos melhores surfistas do país. Vasco Ribeiro no heat seguinte vingou a derrota para Guilherme Ribeiro na Ericeira, combinando o (então) número 2 do ranking. Para terminar a fase Miguel Blanco mostrou-se superior a Diogo Martins, para seguir para as meias finais.

On paper” Tomás Fernandes, que já venceu várias etapas neste circuito, era o favorito para vencer a primeira meia final mas foi surpreendido pelo incrível momentum de Guilherme Fonseca, que também é muito forte em ondas perfeitas e com alguma dimensão e além de ter escolhido muito bem as suas ondas, surfou-as impecavelmente e qualificou-se para a segunda final da sua carreira. A outra vaga para a final foi disputada por um conjunto de 6 títulos nacionais, 4 de Vasco Ribeiro e 2 de Miguel Blanco. Foi um heat muito disputado, Miguel apostou em alguns tubos e foi bem sucedido num deles mas Vasco simplesmente destruiu as longas direitas de dois metros do Cabedelo com grandes carves e algumas finalizações fortes e avançou.

A final feminina foi de quatro surfistas, algo que já não acontecia há vários anos mas, devido à falta de tempo, teve que se fazer uma adaptação e o resultado foi um heat incrível. Francisca Veselko, depois de conquistar um segundo lugar na Ericeira, estava de olhos postos na sua primeira vitória, abrindo a final com uma onda muito boa, uma direita cheia de rasgadas para receber a nota de 7.25. Caso conseguisse segurar a liderança até ao fim seria apenas a segunda surfista na história da Liga com duas gerações vitoriosas neste circuito. Algumas décadas antes a sua mãe, Filipa Leandro, venceu mais que uma etapa e até agora a única dupla a fazer o mesmo feito foi João Antunes e o seu filho, Afonso. É uma questão de tempo até Francisca vencer uma etapa mas desta vez a vitória foi-lhe negada por Yolanda Hopkins. Depois de fazer uma onda de 9.5 na meia final a ex-campeã nacional levou o mesmo nível de performance para a final. Surfando ondas mais intensas mas com menos secções manobráveis, Hopkins arriscou tudo logo na segunda onda, uma rasgada e um reentry numa secção pesada para receber os 9 pontos, o que no final lhe garantiu a vitória. Veselko ficou em segundo lugar, Carolina Mendes, que também arriscou muito mas partiu uma prancha, o que a limitou um pouco na disputa pela vitória ficou em 3º, enquanto que Mafalda Lopes, a única goofy da final, ficou em 4º lugar.

Ficou então a faltar a final masculina, que ou apanhou as melhores condições do campeonato ou a performance dos finalistas foi tão impressionantes que o fizeram parecer. Foi um heat equilibrado no início, Vasco começou na frente e a meio do heat Guilherme Fonseca, com um bom tubo, passou para a liderança. Mas quando Vasco Ribeiro está inspirado, há poucos surfistas do mundo que o conseguem parar. Numa onda cheia de carves e com uma manobra final forte recebeu 9 pontos e na sua última onda aumentou ainda mais a fasquia, garantindo uma nota 10, a vitória na etapa por combinação e a liderança do ranking.

O circuito tem agora “encontro marcado” no Porto, entre 7 e 9 de Maio, onde se realiza o Joaquim Chaves Saúde Porto Pro.

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