Tiago Pires e Teresa Bonvalot arrancam na “pole position” da Liga MOCHE

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Ribeira D’Ilhas é conhecida por ser o berço do surf competitivo nacional e é também o berço de Tiago Pires como surfista de nível mundial. Foi no ano de 1996, em Ribeira D’Ilhas, que Saca, ainda atleta sub16, enfrentou o top16 nacional de igual para igual pela primeira vez.

Na época existia um enorme “fosso” entre os surfistas juniores e os veteranos da geração de ouro do surf português mas Tiago usou e abusou da sua garra, talento e afinidade com a onda para ficar muito perto da vitória, perdendo por muito pouco para João Antunes na final.

A sua primeira de muitas vitórias foi adiada mas o “statement” estava feito pois Tiago mostrou a todos os surfistas da sua geração (e a si próprio) que as barreiras foram criadas para ser derrubadas. A partir daí o surfista da Ericeira não olhou mais a adversários, procurando sempre superar todas as “lycras” que encontrou pela frente independentemente do nível ou estatuto de quem as vestia.

No ano seguinte venceu a etapa do circuito nacional e continuou a usar a sua ligação a esta onda para escalar rankings de diversos circuitos. Ao longo dos anos Pires venceu também nas etapas do Pro Junior (3x) e WQS (2x), sendo que a última vez que levantou a taça foi no Buondi Billabong Pro de 2006, um WQS de 6 estrelas.

Entre esse evento e o último dia do Allianz Ericeira Pro by Ericeira Surf & Skate Saca conseguiu um “mundo” de concretizações como surfista profissional, mas não perdeu ligação com esta onda. Três surfistas ainda o poderiam bater neste evento, Zé Ferreira, Vasco Ribeiro e Frederico Morais. Os dois primeiros encontravam-se na primeira meia final do evento e acabou por ser uma disputa um pouco unilateral. Zé tinha mostrado no segundo dia de prova que tinha potencial para vencer mas a sua escolha de ondas não foi forte. Na melhor que apanhou arriscou bastante, com uma batida com rotação para tail slide na primeira secção, bem lá fora no outside. Infelizmente caiu na manobra seguinte e não capitalizou no seu início de onda. Já Vasco mostrou que é o surfista mais rápido não só do heat mas do país, surfando duas ondas do set quase na perfeição. O seu aproveitamento de onda foi fora de série, rasgando com muita força nas secções mais moles e atacando o lip com violência em todas as oportunidades que teve. Resultado, 19,30 para Vasco contra 8.85 de Zé Ferreira e a presença na final garantida.

No heat seguinte Tiago abria com uma onda bem trabalhada que lhe garantiu a nota de 8.4. Frederico teve dificuldade em encontrar a sua primeira onda boa mas quando a descobriu fê-la contar. A sua execução foi quase perfeita e a nota saiu com justiça com a melhor nota do campeonato, 9.9. Mas enquanto procurava um back up foi Saca quem melhorou a posição e fechou o heat com uma nota de 9.6., deixando a sua maior ameaça na prova até aí de fora.

Entretanto realizou-se a final feminina, que teve como notável ausência Carina Duarte, eliminada por Carol Henrique e Keshia Eyre nas meias finais. Do outro lado vinham Teresa Bonvalot e ainda Mariana Assis, uma surfista que tem evoluído muito de ano para ano. Carol, irmã do actual número 7 do QS, Pedro Henrique, mostrou muito bom surf na fase anterior e era uma forte candidata à vitória na final. Mas Teresa Bonvalot provou que é mesmo a melhor surfista portuguesa da actualidade e fez a melhor onda do heat e nem uma última onda bem surfada de Carol conseguiu mudar o resultado. Em terceiro lugar ficou Keshia Eyre e Mariana Assim em quarto.

No último heat do dia estava em disputa o primeiro lugar do ranking, entre Vasco Ribeiro e Tiago Pires. As ondas rondavam o metro e meio nos sets e o confronto prometia ser apertado entre o campeão mundial júnior e o filho pródigo da Ericeira. Saca manteve o “approach” de toda a prova e abriu com duas ondas excelentes. A segunda não lhe deu tantas oportunidades no outside mas quando Tiago encaixou uma snap layback numa secção pesada garantiu que a nota seria também excelente. Entretanto Vasco Ribeiro pontuou bem na sua primeira onda mas não teve secções tão boas para atacar o lip e apenas recebeu uma nota de 7.5. Ribeiro ficou então a precisar de uma onda acima dos 9 pontos e, apesar de ao longo do campeonato ter feito várias, não conseguiu responder à altura e acabou em segundo lugar. Com esta vitória Tiago Pires quebrou o seu jejum de cerca de 8 anos nesta praia, e provou que ainda é superior à nova geração!

Será que se junta à disputa pelo título da liga MOCHE de 2015?

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