Começou ontem ao fim do dia (em Portugal) o Billabong Pro Tahiti na infâme e rasa bancada de coral de Teahupoo. E este primeiro dia de competição teve de tudo: off-shore, on-shore e algum drama à mistura!

Esperava-se que o swell fosse entrando durante o dia mas a verdade é que nunca houve uma diferença muito significativa ao longo de todas as horas de competição no que a tamanho de ondas disse respeito! Por norma, em quase todos os heats, de 35 minutos (mais 5 minutos que o habitual), as ondas boas demoravam muito a entrar e só isso foi razão para causar muitas surpresas.

E se de manhã, apesar das bombas demorarem, as condições estavam perfeitas, com o off-shore a abrir bem os perigosos canudos de Teahupoo, já durante a tarde o on-shore entrou e, apesar de alguns tubos, as manobras passaram a fazer parte da equação. O que vale é que para muitos o on-shore é o novo off-shore!

Mas, pelo menos nós, quando esperamos a etapa de Tehaupoo queremos é ver tubos! Queremos ver aqueles dias que ficaram conhecidos como Red Code, em que o mar está gigante, perigoso e com mutantes monstruosos. Estes são os melhores surfistas do mundo e não há ninguém que não queira ver do que são capazes em condições (quase) para lá de humanas. Mas, infelizmente, parece que a edição deste ano não será neste tipo de ondas!

Mas isso em nada irá tirar a emoção do Billabong Tahiti Pro, e prova disso foi o que se passou no dia de ontem! O dia abriu com Bede Durbidge a mostrar que quer deixar de ser um dark horse, passando o heat em primeiro, e, logo no segundo heat do dia, Matt Wilkinson mostrava que também quer voltar aos lugares cimeiros do WCT, enviando Taj Burrow e Nathan Hedge para o round 2. Esta façanha de Wilko acabaria por dar origem a um do upsets do dia pois Taj viria a perder no round 2 para o havaiano Ian Walsh. Tal como dissemos aqui, Burrow já não tinha muitas hipóteses para falhar se quer lutar pelo título mundial e esta derrota no Tahiti não poderia ter vindo em pior altura.

Jordy Smith mostrou que se quer redimir da etapa de Bali, passando fácil em primeiro, e Parkinson voltou a passar um heat de uma forma brilhante e estranha ao mesmo tempo. Estanha pois é sempre estranho ver um surfista com uma nota 10 perder um heat. Foi o que aconteceu a Anthony Walsh. Este australiano deu uma incrível toca e recebeu o único 10 da competição até agora mas ficou a precisar de uma segunda onda para conseguir roubar a vitória a Parko. Ao mesmo tempo, Andino colocava um 9.00 e também não precisava de muito para vencer mas foi mesmo o experiente Parko que com um 8.23 e um 7.83 conseguiu a média mais alta. O australiano campeão do mundo sabe que muitos são os heat onde se perde com um 10, e com poucas ondas com potencial rapidamente construiu um score sólido. Brilhante e eficaz!

Seguiu-se Slater e o rei voltou a fazer das suas! Durante 34 minutos e 45 segundos o 11x campeão do mundo andou atrás do primeiro lugar apanhando muitas ondas pequenas mas quase nenhuma com saída. Não conseguiu mais do que um 5.50, e Simpson e Walsh já tinham um 7.50 e um 7.0 graças a bons tubos em ondas de set. Walsh meteu um 6.83 como segunda onda e deixou o rei a precisar de uma nota na casa dos 8 pontos para não ir para o round 2. E foi então que a magia de Slater voltou a funcionar. A 15 segundos do fim entrou uma onda perfeita onde Slater encaixou um bom tubo e, para garantir a nota, deu ainda um roundhouse “estúpido” e um rasgadão, terminando com um aéreo reverse incompleto (pois se completasse estaria sem quilhas e prancha pois aterraria em cima do coral). A nota foi um 8.5, e Slater passou novamente o heat como só ele sabe!

Fanning foi surpreendido por um endiabrado Frederick Patacchia que não deu hipóteses a ninguém e mostrou ser um potencial vencedor. O líder do ranking teria assim de surfar mais uma vez, no round 2, mas nesse acabou por não vacilar, eliminando o local Poulou.

Yadin Nicol, Medina e CJ passavam os seus heats em primeiro até que chegou a vez de John John. O havaiano abriu com um tubo de onshore que lhe valeu 9 pontos e, uns minutos depois, encaixou três trancadões a tirar o tail e a meter litradas de água no ar que lhe valeriam um 7.5 e a média do dia!

O round terminou com Damien Hobggod a passar directo para o round 3.

Para aproveita uma previsão fraca de ondas, vimos alguns heats do round 2 ir para a água e, além da derrota de Burrow e vitória de Fanning como atrás dissemos, Nat Young, que vinha a fazer um ano de rookie brilhante, e Adriano de Souza (que este ano venceu em Bells), foram ambos eliminados por dois wildcards, Antonhy Walsh e o local Alain Riou, respectivamente.

É suposto o swell manter-se ainda em Teahupoo durante o dia de hoje pelo que a partir das 18:30 portuguesas só tens de ligar a televisão no canal FUEL TV para assistir a tudo ao vivo. Caso não tenhas essa possibilidade podes carregar aqui.

Os restantes heats do round 2 são os seguintes:

Heat 5: Michel Bourez (PYF) vs. Nathan Hedge (AUS)
Heat 6: Josh Kerr (AUS) vs. Patrick Guduaskas (USA)
Heat 7: Julian Wilson (AUS) vs. Alejo Muniz (BRA)
HEAT 8: Sebastian Zietz (HAW) vs. Adam Melling (AUS)
HEAT 9: Filipe Toledo (BRA) vs. Miguel Pupo (BRA)
HEAT 10: Jeremy Flores (FRA) vs. Brett Simpson (USA)
HEAT 11: Kai Otton (AUS) vs. Kolohe Andino (USA)
HEAT 12: Adrian Buchan (AUS) vs. Travis Logie (ZAF)

Entretanto podes ver três vídeos deste dia 1: os highlights, os cinco melhores scores e os melhores wipeouts já aqui em baixo.

(Billabong Tahiti Pro Highlights Day 1)

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(Billabong Tahiti Pro Top 5 Waves Day 1)

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(Billabong Tahiti Pro Wipouts Day 1)

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