O derradeiro dia do Allianz Algarve Pro começou cedo na praia do Amado. No  dia anterior o swell tinha entrado com tanta força e dimensão que “arrastou” o round de 16, normalmente realizado no segundo dia, para o terceiro dia.

O mar tinha diminuído ligeiramente, facilitando a vida aos competidores desta fase, apesar de ainda rondar os dois metros. As ondas continuavam a quebrar bastante longe mas o pico era bastante semelhante, alternando mais uma vez entre direitas mais longas que terminavam num quebra côco pesado e as esquerdas mais “para dentro” mas que também proporcionavam boas secções.

Vasco Ribeiro estava na disputa pelo título e logo no seu primeiro heat, o segundo do dia, encontrou forte oposição. A meio do heat Nicolau Von Rupp ocupava a liderança enquanto que João Kopke se encontrava no segundo lugar. Vasco fez várias tentativas de conseguir a nota que precisava mas foi a faltar pouco mais de um minuto que apanhou uma direita boa. Depois de duas rasgadas fez uma manobra forte na junção, recebendo a nota com alguma margem, e assim mantendo-se na luta pelo título.

No heat seguinte foi um dos seus adversários, Zé Ferreira, que viu as suas hipóteses de conquistar o título irem por “água abaixo”. Francisco Alves, que este ano ainda não tinha tido mostrado o seu melhor surf na Liga, fez algumas ondas bastante longas e com boas finalizações, “fugindo” com a liderança. Por sua vez, Miguel Blanco, mesmo sem conseguir dar o seu melhor, conseguiu aproveitar bem as suas ondas e garantiu o segundo lugar. Zé bem tentou assegurar a qualificação mas as suas ondas não tinham parede nem ligavam bem com o inside, o que ajudou a ditar a sua derrota em 3º lugar. Também nesta bateria estava o surfista mais jovem ainda em prova, Luís Perloiro, que fez bom surf mas acabou em 4º.

Para terminar a fase Gony Zubizarreta usou mais uma vez o seu surf de rail e manobras fortes e seguras para passear o seu surf pelas ondas do Amado, vencendo a bateria com facilidade. O segundo lugar foi disputado entre Luca Guichard e Edgar Nozes, acabando o primeiro na frente por 0,05 pontos enquanto que Tomás Fernandes ficou um pouco mais atrás.

De seguida as meninas estrearam-se no Allianz Algarve Pro, nos quartos de final femininos. A adaptação ás condições, que ainda estavam bastante difíceis, foi bastante dura e nenhuma competidora chegou à media dos 10 pontos. O destaque desta fase vai para Constança Coutinho que arriscou um pouco mais nas direitas e conseguiu a melhor média, e uma prancha partida.

O primeiro heat dos quartos de final masculinos defrontava João Guedes e Nicolau Von Rupp e foi muito equilibrado. Guedes tinha surfado muito no primeiro heat do dia, quando derrotou inclusivamente Pedro Henrique, vencendo a bateria do round de 16. Neste heat não conseguiu manter o mesmo ritmo e foi “traído” por Nicolau Von Rupp, que venceu novamente e garantiu presença nas meias finais.

O segundo quarto de final era um heat que Vasco Ribeiro tinha de passar para se sagrar campeão da Liga, mas tinha pela frente o maior “danger man” do circuito, Pedro Henrique. Foi Henrique quem começou melhor o heat, com uma direita que deu espaço para duas manobras. Foram duas no “pocket”, com muito power e os júris compensaram, justamente, com uma nota de 7,75. Nenhuma das ondas de Vasco tinham tanta parede mas o candidato ao título tentou compensar com reentries poderosos nas finalizações. Nos últimos minutos estava novamente em apuros, como na bateria anterior mas a onda que apanhou tinha ainda menos potencial. Depois de algumas rasgadas Ribeiro deu ainda um floater na secção final e apesar de ter acertado a manobra ficou a 0,06 da nota que precisava, e o champanhe foi guardado para a próxima etapa.

Nos heats seguintes Francisco Alves e Gony Zubizarreta foram superiores e garantiram-se nas meias finais ao eliminarem Luca Guichard e Miguel Blanco respectivamente.

As meias finais femininas decorreram sem grandes surpresas e Carina Duarte, Teresa Bonvalot, Ana Sarmento e Constança Coutinho qualificaram-se para a final.

A primeira meia final masculina foi provavelmente o melhor heat de todo o campeonato pois os goofies Nicolau Von Rupp e Pedro Henrique fizeram muito bom surf. A primeira onda de consequência de Von Rupp era praticamente um close out, mas o surfista da Praia Grande conseguiu dar um “valente” snap de backside e recebeu, com justiça, a nota de 6,5. Pedro respondeu com uma esquerda em que deu vários carves com muito rail e velocidade, e o veredicto dos júris foi a nota de 7,5. Rápidamente fez um back up sólido mas Nicolau respondeu com a melhor onda do campeonato. Novamente numa onda de set Nicolau conseguiu dar várias manobras fortes, com destaque para uma batida que projectou muito água no ar. Por esta onda recebeu 9,5 e a vitória no heat.

Pelo ritmo competitivo que Gony Zubizarreta tem mostrado nas últimas semanas o galego era o grande favorito para se juntar a Nicolau na final, mas Francisco Alves tinha outras ideias e venceu esta bateria bastante equilibrada.

Na final feminina Carina Duarte e Teresa Bonvalot foram quem disputou a vitória, já que Ana Sarmento e Constança Coutinho neste heat não conseguiram acompanhar o surf feito pelas candidatas ao título. Carina foi quem apanhou as ondas com mais parede e surfou-as nas secções mais criticas, vencendo com larga vantagem. Bonvalot mostrou um nível de surf semelhante mas as suas ondas não tinha tanta parede e obrigaram-na a compensar com surf mais de rail mas não em secções de consequência. Em terceiro lugar ficou Ana Sarmento e Constança Coutinho em quarto lugar.

Nicolau Von Rupp foi quem abriu as hostilidades da final masculina, surfando uma direita com uma rasgada e várias batidas fortes de backside que lhe garantiram a nota de 5,75. Francisco Alves estava muito mais no outside mas não se perdeu no pico. Na sua primeira onda deu um forte reentry no outside, seguido de um forte snap numa secção ainda crítica. O resto da onda não tinha muita força mas o surfista da Caparica encheu-a de cutbacks, “espremendo-lhe” alguns pontinhos. A nota poderia ter entrado na “categoria” de excelente, mas os júris não viram mais do que 7 pontos, e foi a nota que recebeu. Nic respondeu com outra direita que no outside não o deixou fazer manobras muito fortes mas na secção final levantou-se uma pesada junção onde o eventual vencedor da etapa deu uma potente batida. A nota que recebeu ficou apenas a 0,4 da melhor de Francisco Alves, que assim ficou a precisar de uma nota de 5,36. Quando apanhou uma esquerda que fechou mas proporcionou uma boa secção, Alves “atacou-a” com um snap layback, que completou com sucesso apesar de não ter conseguido ser muito explosivo no lip e apenas recebeu 5,25, terminando no segundo lugar.

Com este heat terminou a quarta etapa da Liga MOCHE, que regressa em Setembro para definir um campeão em Cascais! Quem será, Vasco Ribeiro ou Frederico Morais?

 

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