Tudo batia certo para o último dia do Allianz Caparica Pro, a primeira etapa da Liga MOCHE de 2014. A previsão era de ondas de metro e meio com pouco vento, e os heats dos quartos de final man-on-man eram quase todos dignos de finais.

Mas chegados à praia os competidores verificaram que, apesar de se confirmar as boas condições, iria ser um dia “duro” de competição. A chegada ao pico não era fácil, o posicionamento ainda pior, já para não falar da pesada “junção” que abria no inside. E seria essa a secção que os júris escolheram para atribuir mais pontos a quem arriscasse.

Ao contrário do dia anterior, os competidores escolheram um pico mais em frente ao palanque que proporcionava boas esquerdas e algumas direitas que quebravam com menos regularidade.

Mesmo assim quando os dois amigos e eternos adversários, Vasco Ribeiro e Frederico Morais, entraram na água não havia dúvidas que seria uma das melhores “batalhas” do ano. Vasco foi quem começou melhor arrancando na frente com o surf mais veloz do todo campeonato. Ribeiro escolheu bem as ondas e conseguiu encaixar várias rasgadas fortes, capitalizando na secção do fim. Frederico parecia estar com dificuldades a sair da base da onda e não conseguiu aproveitar tão bem as suas primeiras ondas. A esta altura Vasco parecia ter o heat “na mão”, mas não conseguiu aumentar a sua pontuação. Entretanto Morais virou-se para as direitas, onde conseguiu o seu primeiro “score”, graças a um floater numa das maiores ondas do dia, seguido de uma manobra na junção. Assim Frederico ficou apenas a precisar de uma nota de menos de 7 pontos e perto do fim teve a sua oportunidade. Depois de uma boa rasgada Kikas “deu tudo” numa junção pesada, arriscando muito num reentry. Na praia as opiniões dividiam-se, alguns acreditavam que o campeão em título seria eliminado, outros não. Mas os júris não tiveram dúvidas e consideraram que a última manobra de Frederico foi a mais crítica do heat, merecendo a nota com uma margem de mais de meio ponto de sobra.

Logo de seguida Gony Zubizarreta e Ruben Gonzalez disputaram outro lugar na meias finais. Gony era o surfista mais em forma do evento e muito rápido impôs um ritmo competitivo muito alto. Ruben não baixou os braços e depois de fazer uma esquerda cheia de manobras ficou a precisar pouco mais de oito pontos para vencer. Perto do fim apanhou uma onda bem “buracosa”, encaixou uma forte paulada e caso tivesse conseguido completar podia ter tido a nota que precisava, mas não aconteceu e perdeu.

No terceiro heat do dia foi Tomás Fernandes quem atacou a liderança primeiro, pontuando bem numa esquerda com uma batida fortíssima. Mas Zé Ferreira mostrou-se mais sólido e foi crescendo ao longo do heat, vencendo o mesmo.

Para terminar os quartos de final esperava-se um heat muito equilibrado entre os luso-germanicos, Marlon Lipke e Nicolau Von Rupp. No início os dois apostaram nas direitas, mas quando Marlon farejou uma boa esquerda, que encheu de fortes “carves”, “fugiu” com a liderança. Com a avançar do heat continuou nas esquerdas e conseguiu a vitória.

Para a primeira meia-final Frederico Morais levou uma prancha diferente, que já lhe permitiu surfar mais solto e lutar pela vitória. Morais foi o mais consistente enquanto que Gony fez novamente a melhor onda do dia. Arrancando tarde numa onda de cerca de dois metros, Zubizarreta deu uma rasgada forte seguida de um grande reentry, que completou sem dificuldades. No entanto ficou-lhe a faltar uma segunda nota forte, que poderia ter acontecido nos últimos minutos caso tivesse acertado a última manobra. Zé Ferreira e Marlon Lipke alternaram na liderança da segunda meia-final e foi Lipke quem acabou na frente, deixando o surfista do Guincho em 3º lugar nesta prova.

A final feminina realizou-se antes da masculina, e foi completamente dominada por Teresa Bonvalot. Depois de ter ameaçado levar o título da Liga em 2013, Teresa teve uma das mais notórias prestação de sempre no circuito. Ao fim de poucos minutos Bonvalot apanhou uma boa esquerda que encheu de fortes rasgadas, e recebeu 8 pontos. Pouco depois apanhou uma onda semelhante mas substituiu a primeira rasgada com uma batida no lip, seguindo-a de mais algumas manobras, acabando com a média de 16.75. As suas adversárias não conseguiram acompanhar quer na escolha de onda quer no surf, excepto no caso Ana Sarmento que também escolheu bem uma onda no fim, acabando em segundo, seguida por Keshia Eyre (3º) e Francisca Santos (4º).

A final masculina aconteceu logo seguida e foi a bateria com notas mais altas de todo o campeonato. Marlon abriu “as hostilidades” com uma série de potentes rasgadas, terminando a onda com um bom floater. A resposta de Kikas alguns minutos esteve à altura, com algumas rasgadas no lip uma batida a soltar o tail para terminar. Nesta altura os dois finalistas estavam separados apenas por 0.25, com vantagem para Marlon. Frederico foi quem se manteve mais activo, apanhando duas boas ondas de seguida e pontuando primeiro 7 pontos e depois 7.5. Marlon ficou com a prioridade e foi bastante selectivo, apanhando uma onda boa perto do fim. Depois de um bom carve Lipke deu uma forte batida a soltar o tail e mais algumas rasgadas, mas a onda não lhe deu uma boa secção final, ficando assim a menos de meio ponto de vencer. Pouco depois acabou a bateria com Morais como o justo vencedor, mantendo-se assim na mesma posição do ranking há quase um ano, o primeiro lugar.

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