A final do último dia do Billabong Pipe Masters 2014 foi, sem dúvida, o melhor heat do dia!

O último dia da última etapa do WCT de 2014 foi uma autêntica maratona e que fez com que os finalistas tivessem de surfar cinco ou seis heats para lá chegar! Mas, antes do derradeiro heat, o fenómeno Gabriel Medina conseguia o seu primeiro título mundial, um título que foi não só para o jovem de 20 anos como para o país que provavelmente mais batalhou nas últimas décadas para provar que estava na linha da frente das grandes potências do surf internacional, juntamente com os EUA e a Austrália.

Quem viu a celebração da vitória de Medina assim que conseguiu o seu título, e quem acompanha surf há mais de 15 anos (e nem seria necessário tanto), percebeu que a explosão brasileira que rebentou nas areias de Pipeline foi o soltar de anos e anos de uma quase repressão do surf brasileiro por parte dos “gringos”, justificando o porquê de não haver nenhum outro surfista que carregassem tanto o seu país às costas com o brasileiro, e, neste dia, Medina era sem dúvida o mensageiro divino!

Enquanto Medina festejava na areia o seu título mundial, o seu adversário dos quartos-de-final, Filipe Toledo, estava meio atordoado quanto ao seu heat. O barulho era de tal forma ensurdecedor que Toledo (assim como Julian Wilson e Sebastien Zietz, cujo heat já decorria há 15 minutos, não sabiam se a competição estava ON ou em onhold. Já ninguém acreditava que Medina voltaria ao heat o que daria um bilhete dourado a Toledo para as meias finais mas, a 15 minutos do final do heat, Medina entrou novamente na água e Toledo, que não tinha mais do que duas ondas baixas, acabou por ser eliminado num heat que foi provavelmente um dos mais estranhos da História da ASP.

Já nas meias finais, Medina entrava novamente em modo competitivo e eliminaria Josh Kerr, preparando-se depois para se encontrar com Julian Wilson. Muitos apontam que esta dupla forma a mais recente rivalidade do surf mundial sendo que a última vez que choveram faíscas entre os dois foi na final do WCT em Supertubos há dois anos, uma final para muitos polémica que acabaria por dar a vitória a Wilson.

Para chegar à final, Wilson deixou pelo caminho Kolohe Andino no round 3, Sebastien Zietz no Round 5, Kai Otton nos quartos-de-final e Adrian Buchan nas meias. De referir que praticamente todos os heats deste dia foram heats em que o surfista que apanhava a única onda boa que aparecia nos 30 minutos de heat acabaria por vencer pois colocava um nota excelente no quadro, ao passo que os seus adversários teriam de contar com duas notas baixas. Mas a grande final viria a vestir-se de gala (comparando com as condições que se viram todo o dia em termos de consistência)!

E não foram necessários mais de dois minutos para percebermos que teríamos uma grande final em frente aos olhos! Wilson arrancou numa onda do set que rolou perfeita pela perigosa bancada de Backdoor, ao mesmo tempo que dividia essa onda com Medina que arrancava para Pipe. O tubo de Wilson foi praticamene excelente, um 9,93!

Já o de Medina foi um tubo fraco e que não lhe deu mais que um 3.67. O lado positivo de ter sido um tubo curto, é que o campeão mundial de 2014 voltou ao pico mesmo a tempo de apanhar uma bomba, esta perfeita para Backdoor. A placa de água que caiu à sua frente na secção final da onda, fez muitos desviarem o olhar e só voltaram a olhar quando ouviram a praia a explodir ao ver Medina a sair com os dois braçoees no ar. Um 10 perfeito e a final estava novamente equilibrada.

Medina não necessitou de mais do que meia dúzia de minutos para encontrar um tubo logo para Pipeline e que lhe garantiu um 8 pontos, deixando Wilson a necessitar de uma nota excelente para vencer e se tornar não só um Pipe Masters como também para vencer a prestigiada Triple Crown Havaiana (que era liderada por Dusty Payne). Os restantes 20 minutos da final foram com ondas pobres, e a 2 minutos do fim o samba continuava forte nas areias de Pipe pois tudo indicava que o campeão mundial iria também conseguir o seu primeiro título de Pipe Masters.

Até que, a menos de dois minutos, as famosas linhas de Pipeline aparecem no horizonte. Os dois surfistas remaram desenfreadamente, Medina tinha prioridade mas deixou passar a primeira, onda essa que Wilson nem vacilou e arrancou para Backdoor. Uma caverna formou-se à sua frente, e o australiano saiu com o bafo do “demónio liquido” e os dois braços no ar. Não havia margem de dúvida que essa onda seria mais do que o oito que necessitava. Já a vir para a praia, a multidão parou para ver Medina arrancar na onda que veio a seguir à de Wilson e dar um excelente tubo para Pipeline, uma nota que seria sem dúvida superior ao seu oito.

Medina foi carregado até ao pódio, afinal era o campeão do mundo, enquanto Wilson ficou, completamente rodeado da multidão, na areia à espera das notas. Foi só quando Medina chegou ao pódio que Wilson soube que tinha um 9.70 passando assim para primeiro. No entanto, essa liderança poderia ser passageira caso a onda de Medina fosse  melhor que a sua. Segundos depois ouvia-se a nota de Medina, e a praia voltava a explodir desta vez com ruído anglo-saxónico! Wilson tinha conseguido vencer o seu primeiro Pipe Masters e num ano em que viu a sua permanência no WCT em perigo!

Certamente que nessa noite o Hawaii falou brasileiro mas pelo foram vários os festejos australianos!

Parabéns Medina pelo seu título mundial e Wilson pelo sua vitória no Billabong Pipe Masters!

Comentários

Os comentários estão fechados.