Quando a “Brazilian Storm” começou, algures em 2011, a expectativa era alta para este novo grupo de surfistas mas tudo foi superado no último ano.

O historial dos surfistas brasileiros no WCT já passa as duas décadas, tendo começado quando Fábio Gouveia e Teco Padaratz se qualificaram para o tour no início dos anos 90. O número de surfistas brasileiros que estiveram no WCT desde aí passa as duas dezenas e, apesar de terem conseguido algumas vitórias, a disputa pelo título foi sempre uma ilusão.

Depois apareceu Adriano de Souza, o primeiro surfista do seu país que não só liderou o circuito como se posicionou como série candidato ao título máximo. Foram os resultados de Adriano que abriram os horizontes à geração “Brazilian Storm”, e foi Gabriel Medina que deitou outras barreiras abaixo. Medina venceu onde nunca se tinha vencido, mostrando que não tem fraquezas e os seus companheiros aproveitaram a oportunidade para também passar barreiras criadas pelos grandes potencias do surf mundial.

Gabriel perdeu cedo nesta prova, cedendo à pressão do título, com direito a algumas saídas menos felizes em directo. Chegado ao último dia de prova Medina estava “on location”, em directo para abrir a prova, aproveitando para pedir desculpa (ou desculpar-se) pelas atitudes do dia anterior. As ondas já estavam como se esperava, um metro com pouco vento e longas paredes, perfeito para 2 ou 3 surfistas que tinham estado a “detonar” nos dias anteriores.

Analisando estatísticas, os eventuais finalistas não era favoritos. As raposas velhas do circuito, Burrow e Fanning, encontravam-se em lados opostos da grelha e eram quem provavelmente iria disputar na lycra amarela. Mas este evento não se prendeu a qualquer “roteiro” e cada surfista fez a sua própria sorte. Chegados às meias finais era o Brasil quem dominava, com 3 surfistas em prova, contra um australiano.

A primeira meia final defrontava Miguel Pupo e o vencedor do última etapa de 2014, Julian Wilson. Foi Pupo quem dominou quase o heat todo, com as suas fortes batidas de backside, provando ser o mais estiloso de todos os surfistas brasileiros do tour. Mas Wilson tem uma capacidade muito especial de fazer aéreos incríveis em qualquer secção e virou a bateria a seu favor no final.

Do outro lado estavam Adriano de Souza e Filipe Toledo, dois dos mais pequenos e perigosos surfistas do tour. De Souza, já um veterano do circuito, mostrou estar em grande forma mas “Holy Toledo” estava simplesmente noutro nível, surfando melhor a cada heat. Filipe é o mais jovem surfista do WCT, com 18 anos e venceu a bateria com fortes carves, a lançar muita água para o ar e finalizações abusadas.

Entretanto, na prova feminina, a rivalidade (amigável) entre Carissa Moore e Stephanie Gilmore manteve-se por mais um campeonato mas foi a havaiana quem garantiu a vitória e arrancou na frente!

A final masculina foi mais (e melhor) do mesmo. Filipe Toledo abriu bem a bateria e fechou ainda melhor. Pelo meio Julian não conseguiu melhor do que sair da sua combinação, mas mesmo isso foi temporário pois Toledo acabava a bateria com uma nota 10!

A festa a que se assistiu em Pipeline, em Dezembro de 2014, continuou na areia de Rainbow Bay, que entretanto ficou com o apelido de “Rainbow Rio” devido à quantidade de brasileiros que se encontravam no local, fazendo desta celebração uma das mais impressionantes e barulhentas de sempre no circuito. E com o resultado Filipe Toledo venceu a sua primeira etapa e lidera o circuito mundial! E agora, quem pára o Brasil?

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