Chegados aos quartos de final do Quiksilver Pro Gold Coast tudo parecia destinado a ter um vencedor “tradicional” a arrancar na frente. Isto porque em cada um dos heats estava um dos crónicos vencedores na “Goldie”, Taj Burrow, Mick Fanning, Kelly Slater e Joel Parkinson.

E foi assim que começou, com Taj Burrow a derrotar  CJ Hobgood sem grande história. Mick Fanning estava a caminho de fazer o mesmo e a meio do heat já tinha imposto uma média altíssima em cima do seu “team mate”, Gabriel Medina. Mas Gabriel não aceitou esse roteiro. No round anterior já tinha mostrado que conseguia transformar “lixo em ouro” e a poucos minutos do fim “caçou” uma onda que Fanning, com prioridade, não conseguiu apanhar. Depois foi só encaixar cinco “pauladões” impressionantes e ainda algumas rasgadas para se posicionar e assim receber a nota de 9.4, e a vitória com larga vantagem.

Enquanto isso Slater e Adriano de Souza entravam na água para o terceiro heat dos quartos de final. Slater foi quem começou melhor mas a meio do heat Adriano soube equiparar-se à ocasião e usou o rail como raramente o tinha feito até aqui e precisamente numa das melhores ondas que entraram. Com essa onda garantiu a liderança e alguns minutos depois ainda aumentou a fasquia numa das maiores ondas do dia, deixando Slater a precisar de 9.86. Kelly não deixou de tentar, mas a esta altura o heat já estava perdido.

Logo de seguida, para fechar os quartos de final, mais um heat Brasil VS Tradição, Pupo VS Parkinson. Joel é local e soube usar a sua “local knowledge” como nenhum outro tinha conseguido, encontrando alguns tubos e muitas secções com parede e vencendo com facilidade.

Nas meias finais estavam dois brasileiros e dois australianos e tudo podia acontecer. Taj Burrow teve várias oportunidades de dificultar a vida a Gabriel, mas na sua melhor onda caiu na quarta manobra. Depois de soltar o tail em duas manobras e dar uma forte batida tentou fazer um poderosíssimo snap layback, mas não conseguiu acertar bem o rail e ficou por aí. A três minutos do fim Taj liderava e segurava a prioridade enquanto que Medina precisava de uma nota de 7.21. Não vendo potencial numa pequena onda que entrou Taj deixou Medina apanha-la, mas o brasileiro não conseguiu transformá-la “em ouro”. No entanto abdicou de voltar ao pico de jet ski, fazendo a remada de volta ao pico “a braços”, onde conseguiu encontrar mais uma onda, no inside e longe de Burrow e simplesmente destruiu-a. Uns segundos depois o heat acabou e os dois competidores tiveram tempo de chegar à área de competidores enquanto os júris comparavam bem as notas todas. No fim Medina recebeu o que precisava com 0.03 de sobra e a festa brasileira continuou.

Adriano de Souza fazia tenções de se juntar a Medina na final, mas Joel continuou a encontrar os tubos atrás das rochas e impôs uma combinação altíssima ao brasileiro, vencendo assim o heat.

Na final Parkinson não quis deixar margem para Medina fazer os seus milagres, e abriu um heat com uma onda de 9 pontos, mais uma vez com a sua formula infalível de tubos e carves. Gabriel “trabalhou” muito na final, estando sempre a apanhar ondas com esperança que uma delas lhe desse espaço para fazer o que sabe. A certa altura Joel arriscou demais, arrancou muito atrás das rochas num tubo pesado e o backwash simplesmente desfez a onda. Parkinson podia ter-se lesionado a sério nessa onda mas só partiu a prancha e pouco depois estava de volta ao pico e de imediato aumente ainda mais a sua média.

A menos de 10 minutos do fim Gabriel precisava de uma onda de 9.27 por isso ligou o seu “modo milagroso”. Em duas ondas consecutivas Medina pontuou 8.5 e 7.83, voltando à liderança e deixando Parkinson a precisar de 7.33. Joel ainda apanhou duas ondas, mas seriam insuficientes e Gabriel acabaria por fazer história, tornando-se no primeiro brasileiro a vencer o Quiksilver Pro.

Entretanto realizou-se também o Roxy Pro e Stephanie Gilmore começou mais uma vez o ano em primeiro lugar, derrotando Carissa Moore nas meias e Bianca Buitendag na final.

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