Francisca Veselko é a nova campeã nacional de surf da Liga MEO Surf 2021, a principal competição de Surf em Portugal. A jovem surfista de Carcavelos, de apenas 18 anos, garantiu a conquista do título de forma antecipada, uma vez que a atual número 2 do ranking, Carolina Mendes, já confirmou que não vai marcar presença na etapa final da Liga MEO Surf, o Bom Petisco Peniche Pro, que se realiza já na próxima semana, de 16 a 18 de Setembro.

Após ter conquistado a licra amarela de líder do ranking feminino na etapa de Sintra, lugar que manteve após o 2.º lugar no Miss Costa Nova Cup, Francisca ficou a precisar de chegar à final do Bom Petisco Peniche Pro para garantir o título nacional ou então, esperar que Carolina Mendes não vencesse a derradeira etapa da Liga MEO Surf 2021.

Contudo, Carolina Mendes, após receber um convite para competir na etapa inaugural do Challenger Series do circuito mundial de qualificação da World Surf League, que se realiza na Califórnia, optou por não participar na etapa de Peniche, acabando por entregar antecipadamente o título nacional a Francisca Veselko.

Uma conquista que surge após uma temporada pautada por muita regularidade por parte da surfista de Carcavelos. Após cinco etapas, Francisca conseguiu ir por quatro vezes à final, tendo como “pior” resultado um 3.º lugar. Agora, em Peniche vai tentar conquistar o triunfo numa etapa da Liga MEO Surf pela primeira vez na ainda curta carreira.
Este é o primeiro título de Francisca no escalão máximo, ela que este ano já se sagrou bicampeã nacional Sub-18 e já tinha conquistado o Allianz Triple Crown, o mais importante troféu lateral da Liga MEO Surf.

Desde 2014, que não era feito o pleno de títulos nacionais (open e júnior), algo que foi feito nesse ano por Teresa Bonvalot. Francisca Veselko conta ainda com dois títulos nacionais de Sub-16, conquistados em 2016 e 2018, além de ter sido considerada a surfista júnior do ano na Liga MEO Surf de 2020.

Um título que deixa Francisca Veselko, filha de Filipa Leandro, uma das pioneiras do surf feminino nacional, muito satisfeita com a sua evolução e que a fez comparar este feito ao de Joel Parkinson em 2012, quando o surfista australiano foi campeão mundial antes de vencer qualquer etapa nesse ano [ndr: Parkinson sagrou-se campeão após o desfecho das meias-finais em Pipeline, na última etapa do ano, vindo a ganhar esse mesmo evento].

ANS – Como te sentes ao vencer o primeiro título nacional da carreira e como foi vencê-lo fora de água?
Kika Veselko – Estou muito feliz com esta conquista. Foi um título com um sabor diferente, sim. Penso que, embora não tenha vencido qualquer etapa, acabei por ser premiada pela regularidade que mostrei ao longo do ano. Preferia que a Carolina Mendes fosse ao Bom Petisco Peniche Pro para discutirmos o título na água. Ela é uma surfista muito competitiva e, certamente, que me iria obrigar a elevar o nível.

ANS – Ficaste surpreendida com as tuas performances ao longo do ano ou já esperavas estar na luta por este título?
KV – Surpreendi-me a mim própria. Tenho ultrapassado bastantes obstáculos ao longo da carreira, que me fizeram crescer imenso. As duas primeiras etapas serviram para aumentar a confiança e depois optei por manter a estratégia e os objetivos. E deu resultado! Tentei não mudar muito e manter rotinas, porque foi dando resultado.

ANS – Quando foi o momento que sentiste que o título podia ser realmente teu e que eras uma real candidata?
KV – A partir do momento que ganhei a Allianz Triple Crown, como passei para primeiro, pensei que já estava quase. Foi na Praia Grande que senti esse acreditar que ia conseguir.

ANS – Depois de um ano muito regular, com quatro finais, vencer em Peniche seria a cereja no topo do bolo?
KV – O meu objetivo agora é ganhar a etapa de Peniche. Depois de tantos segundos lugares quero uma vitória. Ainda tenho aquele ‘bichinho’ de me estrear a vencer. Quero acabar o ano com um triunfo, para enaltecer ainda mais o meu título nacional.

ANS – Consideras que este título te coloca no patamar de outros surfistas como a Teresa Bonvalot, Yolanda Hopkins e Carolina Mendes, que têm ajudado a elevar imenso o surf feminino nacional e que têm dado muitas cartas a nível internacional?
KV – Cada vez me sinto mais ao nível delas. Sem dúvida que todas foram a minha grande inspiração. Sempre quis ser como elas. Hoje em dia somos todas muito amigas e sinto que estou lá a chegar a esse patamar. Já comecei a fazer uns campeonatos do circuito mundial de qualificação (QS) e a entrar nesse nível. Penso que não estou tão abaixo e espero seguir o exemplo delas a nível internacional. Estou super ansiosa para disputar mais campeonatos internacionais. E quero ir a Paris’2024, claro.

ANS – Quais os teus reais objetivos a curto prazo e como vês o recente alargamento da idade de júnior na WSL de 18 para 20 anos. Já estava focada na passagem para o circuito principal ou ainda te vês a aproveitar esses dois anos extra de júnior?
KV – Mais a curto prazo tenho o objetivo do Pro Júnior europeu para tentar a qualificação para o Mundial da categoria. Mas, sim, já estou a pensar na fase do QS. Já sinto que estou focada na minha carreira sénior. O alargamento do escalão júnior para Sub-20 é bom para muita gente que aos 18 anos ainda não tem maturidade e estes dois anos ajudam a fortalecer muito esse aspeto. Por um lado esta mudança ajuda os objetivos de muitos surfistas, mas, sinceramente, já estou muito mentalizada para atacar os circuitos principais.

Quem deixou uma mensagem à nova campeã nacional foi Carolina Mendes, atual 2.ª classificada do ranking nacional e campeã nacional em 2016 e 2017. Ela que lamenta a ausência em Peniche, justificada pelo facto de ir prosseguir o sonho internacional de se qualificar para o circuito mundial feminino de 2022.

“Quero dar os meus parabéns à Kika Veselko por esta grande conquista. Infelizmente não vou competir na última etapa, em Peniche. Gostava de poder disputar o título nacional até à última, mas acabei por não poder marcar presença em Peniche para me conseguir preparar a 100 por cento para esta etapa do Challenger Series. Certamente que no próximo ano vou regressar com o objetivo de lutar novamente pelo título na Liga MEO Surf e mais oportunidades não irão faltar para disputar esse objetivo. No entanto, fiquei muito contente por ter recebido essa confirmação de que ia estar no US Open of Surfing, através de uma vaga de suplente. É um campeonato de grande renome internacional e é uma grande oportunidade para poder evoluir”, frisou Carol.

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