À chegada aos Supertubos era visível que as condições estavam longe de estar perfeitas mas com o tempo a escassear e a tempestade a chegar não havia margem para esperar mais. As ondas chegavam a um metro e meio (plus) mas o vento oeste não perdoava, fazendo das ondas mais “maçudas” que tubulares.

E a verdade é que apesar dos primeiros heats terem tido alguns momentos bons foram baterias com pouco interesse onde a sorte era um factor maior do que se espera numa prova destas. Que o diga Gabriel Medina, finalista em 2012, que foi talvez o surfista que surfou com mais velocidade de toda a prova e conseguiu “transitar” entre secções como nenhum outro. Mas mesmo toda esta velocidade não é suficiente quando se apanhar close outs. Por sua vez o seu conterrâneo Alejo Muniz encontrou dois tubões para a direita e assim ofereceu uma combinação e derrota prematura ao seu amigo “Gabe”.

No entanto a partir deste momento as condições começam a melhorar e mesmo no meio de muita “fechadeira” os tubos começam a ser mais regulares. Enquanto isso alguns dos “32” começam a fazer a sua própria sorte, pontuando forte em manobras arriscadas.

O primeiro grande “abuso” veio da parte de outro brasileiro, Miguel Pupo. Este surfista esteve lesionado no início do ano e estava a ter uma temporada fraca até este momento. Quando Miguel arrancou numa direita sem grande potencial e deu um altíssimo aéreo reverse, aterrando no “flat” mas com recuperação “sem espinhas” recebeu uma nota altíssima e assim virou o heat contra Brett Simpson. Estava dada a dica a todos os outros competidores, o dia seria de quem arriscasse mais e não quem desse o melhor tubo!

Julian Wilson absorveu bem a dica do dia e umas horas mais tarde protagonizou o grande momento do campeonato. A precisar de uma nota baixa Julian apanhou uma secção perfeita para dar um alley oop tão alto como o de John John Florece em Bali (como poderás ver AQUI), recebeu nota 10 de todos os júris e assim derrotou com larga vantagem o tube rider Damien Hobgood.

Esperava-se que todo o heat de Filipe Toledo contra John John Florence fosse uma autêntica expression session, e de certa maneira foi. No entanto “Filipinho” não conseguiu acertar nada de especial enquanto que Florence deu um aéreo reverse alto numa junção pesadíssima e assim passou os 9 pontos e venceu o heat.

Mas houve outros heats de grande interesse neste dia. Logo para começar o round 3 Joel Parkinson virou o seu heat nos últimos segundos, recebendo uma nota que muitos acharam justa e outros nem por isso.

Mick Fanning passeou por mais um heat, apostando no pico mais a norte que era bastante consistente, para conseguir scores sólidos com batidas e snaps no lip enquanto que o wildcard Jacob Willcox surfou bem, mas não esteve perto de avançar.

Logo de seguida realizou-se o heat de Frederico Morais conta Jordy Smith. Circulava pela praia que o sul africano estava lesionado e que não iria competir a 100% mas logo na sua primeira onda ficou patente que se tinha alguma coisa, ela não o estava a afectar. Smith arrancou numa esquerda de um metro e meio e deu duas batidas potentíssimas no lip para arrancar 6 pontos dos júris. Morais foi bastante selectivo mas não conseguiu capitalizar neste início de heat, algo que mais tarde lhe custou a qualificação para a fase seguinte.

Quando Frederico finalmente apanhou uma onda não só não conseguiu passar a secção como ainda partiu o leash, o que o obrigou a nadar até terra e fazer a longa remada de volta ao pico. Jordy não conseguiu aproveitar bem esses minutos, fazendo apenas 4 pontos numa esquerda mais pequena que a anterior, apesar de ter sido surfada de modo semelhante. Quando Morais teve finalmente a sua oportunidade fê-la contar com uma batida forte para a esquerda, algumas rasgadas e caso tivesse acertado a junção ficaria com a melhor nota do heat até aí, mas esta era bastante pesada e assim só conseguiu 5.17. Logo de seguida Smith apanhou uma direita sólida surfou-a bem, com uma batida, um forte snap e um reentry, deixando Morais a precisar de um 9.16. Mais uma vez o português não baixou os braços e apanhou a sua melhor onda, atacando mais uma vez o lip com fortes batidas. Assim ficou a precisar apenas de 6.91 mas não conseguiu apanhar outra onda de consequência e assim terminou a sua primeira participação num WCT.

Os cinco heats que faltavam, foram cada vez melhores, com especial destaque para Miguel Pupo, Nat Young e Taj Burrow que surfaram acima da média, venceram as baterias e colocaram-se como candidatos à vitória final.

Assim chegou ao fim o 8º dia de prova (ou 3º de competição) do Moche Pro Portugal Presented by Rip Curl. É quase certo que a prova termine amanhã (quinta-feira), acompanha tudo em directo no canal Fuel TV ou AQUI!

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