Como vencer o Billabong Pro Tahiti lesionado, com Jeremy Flores!

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Jeremy Flores venceu o mais perigoso WT do cicruito contra as ordens do médico!
Jeremy Flores venceu o mais perigoso WT do cicruito contra as ordens do médico!

Com força de vontade, um capacete na cabeça, ir contra as ordens do médico e com uma mestria incomparável na escolha das ondas e nos tubos de backside!

Apesar de não estarem as condições épicas que todos queriam, Teahupo’o não desiludiu ninguém quando despejava bombas tubulares e perigosas para os melhores do mundo mostrarem a sua mestria.

O dia começou com o round 5, e começou logo de uma forma tremendo com o rookie Italo Ferreira a tirar as hipóteses de Filipe Toledo “saltar” para número um do mundo. Toledo esperou as bombas enquanto Ferreira ia construíndo o seu score. Um 6.17 seguido de um 8.83, e Toledo continuava à espera da bomba… A bomba nunca veio e Toledo perdeu o heat com um score de 0.00 pois não fez nem uma onda. Talvez tenha sido a primeira vez na história do WT…

Kai Otton eliminou o wildcard Bruno Santos num heat renhido, mas mais renhido ainda foi o heat 3 em que CJ Hobgood eliminou o basco Aritz Aranburu. E, ainda mais renhido, foi o último heat desta fase em que Jeremy Flores eliminou o rookie Wiggolly Dantas.

CJ Hobgood começou o dia com tubos destes e só pararia nas meias finais. Photo by WSL I Cestari

CJ Hobgood começou o dia com tubos destes e só pararia nas meias finais. Photo by WSL | Cestari

O Billabong Pro Tahiti não abrandou e seguiu directo para os quartos de final, e logo no primeiro heat não faltou emoção. Owen Wrigth abriu com um bom tubo que lhe valeu um 7.50 ao qual o rookie Italo Ferreira respondeu com um 7.27 e logo de seguida, e sem prioridade, encaixou um 8.67, deixando Owen a precisar de uma nota excelente. Até que a espera de Owen voltou a compensar quando entrou uma das ondas mais perfeitas da manhã. Depois de um excelente tubo com saída perfeita com um super bafo, Owen ainda encaixou um roundhouse absolutamente demolidor, desde a altura em que cravou o rail até ao momento em que bateu no lip para fechar o “oito”, e aterrar quase em coral seco. Um 9.43 mais do que merecido e um lugar nas meias-finais!

(O 9.43 de Owen Wright)

Seguiu-se Gabriel Medina e Kai Otton, e se parecia que o australiano iria eliminar o campeão do mundo nos primeiros minutos do heat, com o desenrolar do mesmo Medina encaixou uma nota quase excelente para garantir a sua passagem para as meias finais onde iria defrontar Owen.

Medina foi imparável até à final, mostrando porque foi campeão do mundo em 2014. Photo by WSL I Cestari

Medina foi imparável até à final, mostrando porque foi campeão do mundo em 2014. Photo by WSL | Cestari

No heat 3, CJ Hobgood continuou a mostrar ao mundo que não queria abandonar o WT sem uma última performance brilhante. Sem tirar o mérito a CJ, que é um dos melhores tuberiders do mundo e que não fazia uma semi-final desde 2013, Josh Kerr entregou o heat ao americano quando a pouco tempo do final e com prioridade remou para uma onda sem potencial nenhum perdendo a preciosa prioridade, principalmente por haver muito poucas ondas para pontuar alto em cada heat. A 10 segundos do final, a bomba apareceu e CJ nem hesitou, garantindo-se nas meias finais do Billabong Pro Teahupo’o.

Hobgood venceu o prestigiado Andy Irons Award pela performance mais atirada este ano. Photo by WSL I Cestari

Hobgood venceu o prestigiado Andy Irons Award pela performance mais atirada este ano. Photo by WSL | Cestari

O último heat dos quartos confrontou Slater com Flores. Slater começou com um tubo “fácil” que lhe valeu um 6.83 enquanto Flores mantinha o jogo que o levou até ali, a espera pelas ondas que lhe permitiam fazer notas excelentes. Depois de uma troca de ondas em que Slater meteu um 7.33 e Flores um 5.10, entrou o set que deu vantagem ao francês. Flores apanhou a primeira e depois de um tubo pesado conseguiu furar a saída do mesmo para receber um 8.60. Slater arrancou na segunda mas não conseguiu aguentar a foam ball e em vez de uma nota excelente teve uma nota medíocre, 2.57. Slater encaixou depois um 8.33 graças a um longo tubo numa onda média seguido de uma rasgada enquanto Jeremy continuou à espera da onda certa. Quando entrou, Flores tentou atrasar tanto que derrapou a prancha quase caíndo mas controlando a derrapagem e encaixando no tubo para sair, receber um 8.23 e deixar Slater a precisar de um 8.51 a dois minutos do fim. E foi o fim do Billabong Pro Tahiti para Slater que caso vencesse seria número 3 do mundo… A última vez que Slater fez uma final foi exactamente há um ano em Tehaupo’o e ainda não foi desta que quebrou o “bruxedo” que o assombra há mais de um ano.

Esperava-se que as meias finais fossem grandes heats mas a realidade é que em cada uma poucas oportunidades houve de fazer scores altos. As que apareceram foram aproveitadas por Medina, que derrotou assim Owen Wright e que com esta derrota o australiano não conseguiu passar para número um do ranking (com certeza que Adriano de Souza já pagou uma cerveja a Medina), e por Jeremy Flores, que mais uma vez optou por esperar as bombas e capitalizou com isso um lugar na final, eliminando CJ Hobgood que se despede de Teahupo’o com um excelente terceiro lugar e ainda com o Andy Irons Award deste ano.

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Owen Wrigth foi vitima da falta de ondas nas meias finais. Photo by WSL | Cestari

A grande final defrontava então Medina e Flores. Olhando para trás, não houve nenhum outro surfista que estivesse tanto em sintonia com as ondas certas durante o Billabong Pro Tahiti como o francês e por isso não é de admirar que mal o heat tenha começado e depois de Medina arrancar num close-out, o francês tenha arrancado na segunda onda (que quase sempre era a melhor) e dado um tubo incrível, daqueles que já ninguém acreditava que ia sair. Resultado? Começou com um 9.87.

(A nota quase perfeita de Flores na Final)

Entrou-se depois num longo período de espera e quando Medina escolheu a sua onda, escolheu-a novamente mal, mais um close-out. Flores arrancou na onda seguinte e encaixou um sete pontos. A partir daí Medina tentou apahar tudo o que parecia ter potencial mas nada conseguiu fazer contra a tremenda média de Flores.

Vindo de uma lesão perigosa e contra as ordens do médico, Jeremy Flores foi o merecido vencedor do Billabong Pro Tahiti e no final do dia se houve alguém que riu mais que Flores foi, provavelmente, Adriano de Souza, o (ainda) camisola amarela do WT de 2015.

O WT irá agora seguir para a onda mais high performance do mundo, Trestles!

(Highlights do útlimo dia do Billabong Pro Tahiti)

 

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