Esperava-se uma nova ondulação logo pela manhã para o derradeiro dia do Allianz Ericeira Pro, em Ribeira D’ilhas, e, apesar da demora na subida do mar, os surfistas nunca desiludiram.

O dia começou com um confronto entre o seed número 1 da prova, Vasco Ribeiro, e o local Tomás Fernandes. Apesar de Tomás ter vencido esta prova duas vezes, o favorito era Vasco que, apesar de ter conseguido a qualificação para as meias finais, teve que fazer um fim de heat muito forte para dar a volta ao resultado. Na bateria seguinte estavam dois surfistas em grande ascensão, Francisco Almeida e Guilherme Ribeiro. Almeida vinha com a experiência de ter feito uma final em 2020 enquanto que Ribeiro mostra uma grande evolução que já se vem a acompanhar nos últimos dois ou três anos. Guilherme está com um surf muito completo e usou as suas curvas de rail e finalizações arriscadas para superar o seu adversário e garantir a sua primeira presença nas meias finais. Arran Strong, que tinha como adversário o candidato ao título de 2020, Afonso Antunes, no heat seguinte e usou todo o seu conhecimento do pico para apanhar as ondas certas e colocar o seu adversário sob pressão. Strong liderou muito tempo até Antunes, perto do fim, ter aproveitado muito bem uma onda com potencial mediano para fazer 7.25 e vencer o heat. Por sua vez Luís Perloiro, pela consistência que mostrou ao longo desta prova e durante o ano passado e por ter começado o heat com uma nota de 6 pontos, parecia ter a vitória neste confronto de goofies garantida. Mas ficou a faltar um back up melhor e no fim Pedro Coelho conseguiu dar a volta ao resultado e avançar para a fase seguinte.

Seguiu-se a prova feminina que começava com um confronto de gerações, Francisca Veselko da nova geração contra a já veterana Carina Duarte, que tem competido muito pouco mas que mostrou muito bom surf ao longo desta prova. Foi um heat equilibrado tirando uma onda muito bem surfada por Veselko, que lhe garantiu uma nota de 7.25 e a vitória. A segunda meia final teve notas muito parecidas mas Teresa Bonvalot esteve sempre a correr atrás do primeiro lugar. Carolina Mendes escolheu bem as suas ondas e surfou-as ainda melhor e nem as fortes pauladas na secção final de Bonvalot foram suficientes para a colocar na final.

A primeira meia final masculina juntava dois Ribeiros, Vasco e Guilherme, dois surfistas que apesar de partilharem o apelido não têm qualquer ligação familiar. Não foi um heat com notas altas como se esperava, pois as ondas não ajudaram mas Guilherme, mesmo assim, conseguiu dominar o heat, escolhendo ondas com mais parede e surfando-as muito bem. Vasco Ribeiro apanhou muitas ondas mas faltaram mais secções verticais e acabou por ser eliminado. Na bateria seguinte Pedro Coelho surfou muito, mas não conseguiu acompanhar o ritmo de Afonso Antunes, que assim se qualificava para a final pelo segundo ano consecutivo.

Francisca Veselko mostrou-se muito focada em conseguir a sua primeira vitória na Liga MEO Surf mas Carolina Mendes fez uma prova impecável, garantindo o primeiro lugar desta etapa pelo segundo ano consecutivo.

A final dos homens lembrou a prova que abriu a Liga MEO Surf de 2012, quando uma nova geração, Frederico Morais, Vasco Ribeiro, Zé Ferreira e Francisco Alves dominaram o evento e passaram a “tomar conta” do circuito. Afonso Antunes e Guilherme Ribeiro são os dois nomes mais fortes da sua geração, e esta final poderá ser falada daqui a alguns anos como mais uma prova de mudança de guarda. Qualquer um dos dois podia ter vencido a final e a liderança chegou a mudar, temporariamente, a meio da bateria. Mas Afonso abriu melhor e foi muito seletivo, juntando notas de 7.25 e 8 para deixar o seu amigo Guilherme a precisar de uma nota de 9 pontos, assumindo assim a liderança do circuito!

A Liga MEO Surf segue agora para o Cabedelo, dentro de duas semanas, onde se realiza o Allianz Figueira Pro.

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