O Heat Perfeito (3 ondas, 30 pontos) de Shane Beschen | Blog

publicado há 4 anos por 2

shane-beschen-blog-post

O último dia do Quiksilver Pro Gold Coast 2013 foi realizado em Kirra, um local que já recebeu o circuito numa época em que a onda era mais consistente que hoje. Na altura era a Billabong que organiza a etapa do circuito mundial aqui, que começou como WQS e ascendeu a WCT. Kirra era uma verdadeira pérola do circuito mundial numa altura que o nome “dream tour” não se adequava.

Faziam-se filmes de surf em Kirra, com free surf e competição, mas as adaptações feitas pelo homem a este pedaço de costa fizeram com que se tornasse mais num mito que uma onda, quebrando só em sweis muito específicos.

Muitos dos que assistiram à final do Quiksilver Pro estranharam que a primeira onda de Joel Parkinson não tivesse dado origem a uma nota 10. Uns minutos mais tarde foi a vez de Kelly Slater ficar ainda mais perto do 10 mas não conseguiu, ficando assim alguma margem para tubos melhores, evitando assim erros do passado.

Foi em 1996, no Billabong Pro Kirra, que o norte-americano Shane Beschen fez algo inédito no surf profissional ao conseguir média mais alta de sempre, 30 pontos no somatório das suas três melhores ondas. O seu descarte? Uma onda de 9.9! Alguns anos mais tarde a ASP mudava as regras, passando a contar apenas as duas melhores ondas no somatório em vez de três fazendo com que seja impossível (pelo menos até se mudar novamente as regras) alguém alcançar a média perfeita de Beschen.

Alguns surfistas já conseguiram algo semelhante dentro das regras actuais, duas notas 10 no mesmo heat para ficarem com a média perfeita de 20 pontos. Joel Parkinson conseguiu fazê-lo, no Pipeline Masters de 2009, enquanto que Slater e Jeremy Flores repetiam a dose em Teahupoo, em 2005 e 2011 respectivamente.

Mas história do heat perfeito de Shane Beschen poderá ter passado mais por um erro no julgamento do que um feito único na história do surf, como recordaria o surfista de San Clemente em entrevista uns anos mais tarde. Aparentemente mais cedo nesse dia a maré não estava no seu melhor e os júris distribuíam notas altas sem grande hesitação. E quando Shane entrou no seu heat, com a maré a acertar, e deu o melhor tubo até aí os júris deram-lhe uma nota 10. No entanto, os tubos que se seguiram foram ainda melhores e os júris não tiveram outra hipótese senão continuar a dar notas 10, fazendo um total de 30 pontos nas suas três melhores. O 9.9, que ficou como descarte, segundo muitos, em nada ficou atrás das outras ondas mas aí o “painel” já foi mais reservado na nota.

Esse heat do round 3 era contra o brasileiro Fábio Gouveia e Beschen perderia umas fases mais tarde, nos quartos de final contra o eventual vencedor do campeonato, o original “Kauai Boy” do circuito, Kaipo Jaquias. Kaipo venceria mais uma etapa nesse ano, acabando no top 5 do circuito e vencendo ainda o primeiro título da (agora VANS) Triple Crown of Surfing, o primeiro da história do Kauai.

Shane ainda venceu duas etapas do WCT de seguida nesse ano, no Japão e G-Land (Java, Indonésia), mas Kelly tinha vencido a primeira etapa do ano e também começou a vencer etapas consecutivas. Quando chegou à etapa portuguesa do circuito, o Coca-Cola Figueira Pro, Beschen já se tinha rendido às evidências e nem veio ao nosso país (alegando ter uma lesão), oferecendo assim o título ao seu grande rival. Mas o seu feito no Billabong Pro Kirra, com ou sem erros dos júris, ficou para a história e serve ainda hoje (ou ontem) de exemplo para os júris do WCT!

(Arquivo de Fabio Gouveia, o heat de Shane Beschen aparece a partir do minuto 5.10)

YouTube Preview Image

Comentários

  1. Toni caraíbas diz:

    Nao ha video desses 30 pontos?