A Febre do Pinguim | Blog Post | By João “Flecha” Meneses

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Aceito o presente e acredito que o futuro será melhor. E lá vou afastando a cabeça do Velho do Restelo.

Mas ainda não deixei de acreditar num concerto do Jack Johnson só para quem já tirou ouriços dos pés, ou que os Bad religion e os Pennywise vão voltar a dar som a imagens de surfistas criativos. Mas começo a deixar de acreditar que as entidades dos assuntos do mar em Portugal vão analisar criteriosamente o nível de surf e a capacidade física dos professores da europa central e de alguns portugueses que leccionam a arte nas ondas. Mas descansem, não pretendo exigir que conheçam as bandas de culto ou filmes como Bunyp Dreaming, Focus ou Momentum. Mas deviam!

Gostava de acreditar que o Shane Herring, um dos melhores surfistas do mundo na década de 90, irá receber uma prancha esculpida por um Mayor australiano, não para premiar o seu passado de álcool e de drogas, mas pela criatividade que teve num curto espaço de tempo, rasgando sem filtros os mares do mundo.

Gostava, ainda, de ver o Christian Fletcher com a sua caveira tatuada na nuca a ensinar o Obama a descer um mini half pipe na Casa Branca e de ver o Shaun Tomson como Presidente da África do Sul.

Não gosto de ver pinguins da cidade a dar medalhas a surfistas. Dizem que o metal das mesmas, ouro, prata ou bronze, em contacto com a pele salgada é transmissor da febre da Antártida, um misto de hipotermia e discurso de papagaio, que torna o homem do mar menos puro e mais macio face ao cinismo da sociedade.

Em Portugal, gostava de ver tanta coisa. Mais surfistas-treinadores como o Pyrrait, o João Antunes, o Telmo e o Raimundo, e outros tantos que do Algarve ao Minho vão formando surfistas e só depois atletas. Gostava de ver o prestigiado Tiago Pires a lutar por causas ambientais e nomeado embaixador das reservas de surf. Não gostava de voltar a ver o Miguel Blanco sem patrocínio, porque se o miúdo não acreditasse no seu valor, podia ter ido por outro caminho e hoje seriamos mais pobres.

Não nos esqueçamos que em terra ou no mar, a riqueza de um País cresce ao potenciar o seu capital humano em equilíbrio com a natureza. Estudando o passado e acreditando que o futuro é motivo para um sorriso.

Sobre o Autor:
João “Flecha” Meneses| Com mais de duas décadas de surf nos pés, “Flecha” enquadra dois adjectivos de respeito no surf, “underground” e “Soul” surfer. Originalmente local das ondas da Caparica, João tornou-se residente da Ericeira há mais de uma década e é um daqueles surfistas que não aceita insultos do “Sr. Medo”. Nos seus tempos livres é escritor de mão cheia e esta é mais uma excelente colaboração com a ONFIRE.

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